Ilha do IAPI

Projeto de documentário de média metragem sobre o primeiro maior conjunto residencial da América Latina: a Vila do IAPI. Situada no bairro Passo d’Areia, zona norte de Porto Alegre, teve o primeiro prédio do grande conjunto construído em 1944, sendo inaugurada oficialmente pelo presidente Getúlio Vargas em 1953.  Nas palavras dos primeiros moradores, era o “local onde terminava a cidade”. 

O título deste documentário, Ilha do IAPI, investe na metáfora da ilha para indicar a situação peculiar da Vila, como identidade e lugar de memória no panorama urbano de Porto Alegre. Uma ilha seca, afastada das águas do estuário do Guaíba, mas ainda assim uma ilha simbólica. Ao menos essa é a percepção aparente que emerge de uma conversa com seus moradores. E é a percepção mais óbvia de quem escuta passarinhos e o som do vento nas árvores das ruas da Vila, quando logo adiante vai se deparar com uma das ruidosas e movimentadas avenidas que a circundam. A Vila do IAPI é um mundo à parte – uma espécie de ilha, portanto.

Como curiosos aventureiros em busca de encantos e riquezas dessa ilha, o documentário vai retratar a alma “do IAPI”, como muitos a chamam, por considerá-la como um bairro independente e com identidade própria.  Como se diante de um recanto sagrado e desconhecido, entraremos desarmados de conceitos e reverentes ao que tentaremos definir como um “jeito de ser IAPI” e o pleito de sua comunidade pela sobrevivência e preservação da Vila em meio ao assédio das construtoras e a imposição dos “espigões” que a circundam.

 

 

ALGUNS PERSONAGENS

 

Antonio Hohlfeldt – jornalista, escritor e professor universitário – ex-morador da Vila

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“Minha mãe se dava com a dona Ercy (mãe da Elis Regina), e dava aula particular de inglês pra Elis. Queixava-se da timidez da menina, que a atrapalhava nas aulas. Lembro de levarmos Elis à rádio com o Rogério, irmão dela. (…) A vila tinha isso, um ambiente propício à cumplicidade entre os vizinhos, muito bom!”

 

 

Clélia Abreu – A Teca – 65 Anos

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Mora na Vila desde que nasceu, no mesmo apartamento. Integrante da Escola de Samba União da Vila do IAPI: “Nunca pensei em sair daqui, adoro este lugar. Não adianta sair da Vila, a Vila não sai da gente.”

 

 

 

Nelson Coelho de Castro – Músico – Cantor, compositor e produtor  – Ex-morador da Vila

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 “A Vila do IAPI é muito mais de que uma cenografia porto-alegrense. Quem mora por lá ou morou, sabe bem disso. Eu morei no IAPI. Sei das suas ruas em curvas, dos atalhos entre os prédios, dos seus cheiros, dos corredores, azulejos, sombras, dos seus paralelepípedos, de suas calçadas e poças, chorões e cinamomos e de um domingo de sol no Alim Pedro assistindo aos guris sempre atrás de uma bola.”

 

Gilson Anderson – 61 anos – músico – Vive entre sua residência nos Estados Unidos e a Vila do IAPI

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Aos 15 anos, pediu ao seu pai que comprasse um apartamento na Vila: “Havia então uma forte cena musical. Criei um estúdio nos fundos de casa, onde ensaiavam bandas como a Bixo da Seda, as Brasas e músicos de fora, que vinham se refugiar por aqui, como Ney Matogrosso.”
 

 

EQUIPE

Argumento: Nivaldo Pereira

Pesquisa e produção: Flávia Matzenbacher e Vítor Bley de Moraes

Direção e produção: Flávia Matzenbacher

Montagem: Lúcio Born

Produção: Cipó e Primeiro Corte